Atenção: Período chuvoso pode aumentar acidentes com animais peçonhentos

Nos meses de janeiro a março, período de chuvas nas cidades paraenses, o cuidado com o aparecimento de animais peçonhentos deve ser redobrado. Em 2020, o Pará teve 7.945 casos registrados de acidentes por animais peçonhentos, desse total, 22 pessoas morreram. Cerca de 92% dos acidentes são com serpentes, como a Jararaca.

“Durante o período de chuvas, os animais ficam desabrigados, eles vão procurar lugares quentes e secos, que acabam sendo as nossas casas, sapatos, botas, aquele cantinho onde tem muitas coisas guardadas. Eles vão procurar abrigo e acabam nos encontrando”, explica a coordenadora estadual de Zoonoses da Sespa, Elke de Abreu.

Como se proteger

Cuidados com a limpeza ao redor da residência são fundamentais para evitar acidentes com cobras, aranhas, escorpiões e lagartas. Segundo Elke, escorpiões se alimentam de baratas que por sua vez se alimentam de restos de alimentos, então manter ao redor da casa limpo e sem entulhos, a chance de não ter escorpião e outros animais peçonhentos é grande.

“As aranhas vão sempre procurar lugares quentinhos, tem que ter cuidado e ver se não tem uma aranha antes de calçar um sapato. Pequenas cobras também podem se esconder em sapatos e botas.  Antes de deitar numa rede é bom sacudir pra ver se não tem nenhum animal escondido, deve-se evitar também encostar a cama ou berços na parede ou deixar colchas e lençóis tocando o chão, pois escorpiões e aranhas podem utilizá-los como apoio para subir e se abrigar entre esses tecidos e travesseiros. Outro alerta é com relação a áreas alagadas, não se deve andar sem enxergar onde está pisando”, orienta a coordenadora.

Para os residentes de áreas com matas próximas, evitar andar descalço ou de sandálias e não colocar a mão em buracos de árvores ou tocos ocos, cupinzeiros, entre espaços situados em monte de lenhas ou pedras e sob rochas. Caso seja necessário mexer nestes locais, é sugerido o uso de um pedaço de madeira, enxada, pois esses lugares podem se tornar abrigo para os animais. Lagartas também podem provocar acidentes, é preciso tomar cuidado, elas ficam mimetizadas nos troncos das árvores e uma pessoa pode encostar sem querer e se acidentar. 

Em locais ou situações de risco de acidentes por animais peçonhentos, como matas, trilhas, atividade de lazer, áreas de acúmulo de lixo, serviços de jardinagem, atividades de limpeza, deslocamentos de móveis, entre outros, utilizar sempre equipamentos de proteção individual (EPI). 

Olhe sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer.  Se encontrar animais peçonhentos em qualquer situação afaste-se com cuidado, evite assustar ou tocar os animais, mesmo que pareçam mortos. 

Em locais rochosos ou com pedras soltas, caminhe com os pés protegidos. 

Não mexa em colmeias e vespeiros. Caso estes estejam, em áreas de risco de acidentes, chame a autoridade local competente para a remoção. 

O que fazer em caso de acidente

Caso aconteça um acidente com um animal peçonhento, é muito importante que as pessoas saibam como proceder. Diferente do que se costuma ouvir, não se deve amarrar o local do ferimento, já que isto pode produzir necrose e não evita a disseminação do veneno.

“Os soros que tratam as picadas de animais peçonhentos só podem ser aplicados em ambiente hospitalar, então é importante procurar um hospital o mais rápido possível. Para as picadas de cobras, é necessário soro sempre, só o soro vai neutralizar o veneno. Já nas picadas de aranha e escorpião, nem sempre é necessário soro, mas mesmo assim deve procurar um hospital. De cada dez acidentes com aranha e escorpião, apenas três precisam de soro, os outros vão ficar em observação e hidratação. Para acidentes com lagartas também será preciso um soro específico”, informa Elke.

Em caso de ocorrência de acidentes, mantenha a calma; evite movimentos desnecessários; mantenha o membro acometido mais elevado em relação ao restante do corpo; lave o local da picada apenas com água ou com água e sabão; de bastante água à vítima para manter a hidratação e procure um serviço médico o quanto antes.

Fonte: Agência Pará/Melina Marcelino. Foto: Agência Pará.

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