Em meio a segunda onda de casos da covid-19 e sem vacinas suficientes para toda a população, prefeitura de Santarém reúne com lideranças de Alter do Chão para definir data de realização do Çairé 

O maior e mais tradicional festival folclórico de Santarém é realizado tradicionalmente no mês de setembro na vila de Alter do Chão. O evento atrai turistas do mundo inteiro, mas ano passado a festa foi limitada apenas à parte religiosa, devido à pandemia do novo coronavírus. Em 2020 o Çairé chegou a ser cancelado, mas a gestão municipal, em tratativas com lideranças comunitárias, resolveu voltar atrás na decisão e manter a festa, porém com restrições.

Já em 2021, mesmo enfrentando a segunda onda da pandemia, a gestão municipal não sinalizou que o evento poderá ser cancelado, pelo contrário. Uma reunião entre lideranças de Alter do Chão e prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria de Cultura, foi realizada na terça-feira (16) na vila para definir a data do evento.

De acordo com o secretário municipal de cultura, que desenvolveu a forma grave da covid-19 em 2020 e precisou ficar internado por vários dias na UTI, há duas datas definidas para a realização do Çairé. “Para este ano, conforme o cenário da pandemia, o primeiro período fechado foi de 16 a 20 de setembro, mas com possibilidade de prorrogar para 16 a 20 de dezembro”, informou Luis Alberto Figueira “Pixica”.

Segundo a prefeitura, a justificativa para manter a festa é que o intenso trabalho de prevenção e combate ao cenário de pandemia, assim como as normativas de enfrentamento ao coronavírus e as doses da vacina que estão em curso permitem o planejamento das datas.

No entanto, mesmo com a nona maior população do Brasil, até agora o Pará é o estado que recebeu, proporcionalmente, a menor quantidade de imunizantes contra a Covid-19 e apesar da taxa de ocupação de leitos clínicos estar controlada em Santarém, a fila de espera por leitos em Unidades de Terapia Intensiva continua superior à quantidade de leitos vagos.

Na última atualização do boletim da covid-19, realizada às 21h da quarta-feira (17), haviam apenas 4 leitos de UTI vagos, mas 8 pacientes aguardavam na fila de espera e nem mesmo a ampliação da oferta de leitos no HRBA foi suficiente para atender a constante demanda.

O número de mortes na cidade também preocupa. Ao todo, 739 pessoas já perderam a vida para a doença, sem contar outros 15 óbitos que ainda não foram contabilizados nos registros oficiais porque a Semsa aguarda os resultados dos exames.

Sobre a programação do Çairé, a matéria publicada no site oficial da prefeitura, esclarece que o planejamento será realizado conforme as medidas para enfrentamento à pandemia da covid-19, mas como a prefeitura planeja evitar aglomerações em uma festa que atrai milhares de pessoas, não sabemos.

Foto: Marco Santos/Agência Pará

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